WPB

7

O discurso de Jó se volta dos amigos para o próprio Deus. A vida é trabalho forçado, noites de virar de um lado a outro, carne coberta de vermes, dias mais velozes que a lançadeira do tecelão e gastos sem esperança. Ele insiste que a sepultura é sem volta: a nuvem que se desfaz não torna a subir. Repare como ele inverte o louvor do Salmo 8 (vv. 17-20): se o homem é tão pequeno, por que Deus o engrandece só para prová-lo a cada manhã e pô-lo como alvo?

Leitura paralela
Português (Brasil) + Português (Portugal)
Jó 7 (WPB)
  1. 1

    “Não é o homem forçado a trabalhar na terra? Não são os seus dias como os dias de um trabalhador contratado?

  2. 2

    Como um servo que anseia pela sombra, como um trabalhador contratado que espera pelo seu salário,

  3. 3

    assim recebi por herança meses de miséria, e noites de aflição me foram destinadas.

  4. 4

    Quando me deito, eu digo: 'Quando me levantarei, e a noite terá fim?' Eu me reviro de um lado para o outro até o amanhecer.

  5. 5

    Minha carne está vestida de vermes e torrões de pó. Minha pele se fecha, e racha novamente.

  6. 6

    Meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e se consomem sem esperança.

  7. 7

    Oh, lembre-se de que minha vida é um sopro. Meus olhos não voltarão a ver o bem.

  8. 8

    O olho daquele que me vê não me verá mais. Seus olhos estarão sobre mim, mas eu já não existirei.

  9. 9

    Assim como a nuvem se desfaz e desaparece, assim aquele que desce ao Seol não subirá mais.

  10. 10

    Ele não voltará mais para a sua casa, e o seu lugar não o conhecerá mais.

  11. 11

    “Portanto, não ficarei calado. Falarei na angústia do meu espírito. Me queixarei na amargura da minha alma.

  12. 12

    Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que você coloque um guarda sobre mim?

  13. 13

    Quando digo: 'Minha cama me consolará. Meu leito aliviará a minha queixa',

  14. 14

    então você me assusta com sonhos e me aterroriza com visões,

  15. 15

    de modo que a minha alma escolhe o estrangulamento, e a morte em vez dos meus ossos.

  16. 16

    Eu detesto a minha vida. Não quero viver para sempre. Deixe-me em paz, pois os meus dias são apenas um sopro.

  17. 17

    O que é o homem, para que você o engrandeça, para que você fixe nele a sua atenção,

  18. 18

    para que você o visite a cada manhã, e o prove a cada momento?

  19. 19

    Até quando você não desviará de mim o olhar, nem me deixará em paz até que eu engula a minha saliva?

  20. 20

    Se pequei, o que faço a você, ó observador dos homens? Por que você me colocou como seu alvo, de modo que me tornei um fardo para mim mesmo?

  21. 21

    Por que você não perdoa a minha desobediência, e não tira a minha iniquidade? Pois agora me deitarei no pó. Você me buscará diligentemente, mas eu já não existirei.”

Uma vigilância da qual quer fugir

A queixa aqui não é o abandono, mas o oposto: Deus vigia de perto demais. Jó o chama de guarda dos homens que nem o deixa engolir a própria saliva, custodiando-o como se fosse o mar ou um monstro marinho a conter.

O capítulo fecha com um desafio sereno no versículo 21: perdoa-me agora, pois amanhã me buscarás e eu já não estarei. É a pressão da morte, não a teologia, que move o pedido.

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