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Salmos 23
Seis versículos assentes em duas cenas: um pastor que faz repousar em pastos verdejantes e guia por veredas de justiça, e a seguir um anfitrião que prepara mesa diante dos inimigos. A meio do salmo a voz deixa de falar acerca de Deus e passa a falar-lhe: "tu estás comigo". Note a viragem no versículo 4: o conforto da vara e do cajado chega dentro do "vale da sombra da morte", e não depois. O remate alarga esse cuidado a "todos os dias da minha vida".
- 1
O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
- 2
Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Ele me conduz junto a águas tranquilas.
- 3
Ele restaura a minha alma. Ele me guia pelos caminhos da justiça por amor do seu nome.
- 4
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado, eles me consolam.
- 5
Tu preparas uma mesa diante de mim na presença dos meus inimigos. Tu unges a minha cabeça com óleo. O meu cálice transborda.
- 6
Certamente a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do SENHOR para sempre.
Porque muda o modo de tratamento
O momento mais íntimo é gramatical. Enquanto o caminho está seguro, fala-se de Deus na terceira pessoa; mal surge o perigo, quem ora volta-se e diz "tu". O receio não cala a oração, torna-a num trato directo.
As duas figuras revezam-se também: pastos e águas tranquilas respondem à necessidade comum; a mesa posta e o cálice que transborda respondem à ameaça. Ambas terminam no mesmo sítio, a habitar na casa do Senhor.
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