WPB

Salmos 38

Um homem doente suplica que Deus deixe de o castigar. O corpo é todo o cenário: flechas cravadas na carne, chagas que apodrecem, os lombos a arder, os olhos que se apagam, o coração que palpita e desfalece. Lê a doença como o peso do próprio pecado. Repare-se como ele se faz surdo e mudo de propósito (v.13-14): os amigos afastam-se, os inimigos tramam, e em vez de lhes responder aposta tudo em que Deus o oiça. Acaba em plena crise, com súplica e sem resgate.

Leitura paralela
Português (Portugal) + English
Salmos 38 (WPB)
  1. 1

    SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.

  2. 2

    Pois as tuas flechas cravaram-se em mim, e a tua mão pesa fortemente sobre mim.

  3. 3

    Não há parte sã na minha carne por causa da tua indignação, nem há saúde nos meus ossos por causa do meu pecado.

  4. 4

    Pois as minhas iniquidades passaram por cima da minha cabeça; como um fardo pesado, são pesadas demais para mim.

  5. 5

    Minhas feridas são repugnantes e purulentas por causa da minha insensatez.

  6. 6

    Estou em dores e muito encurvado; ando lamentando o dia todo.

  7. 7

    Pois os meus lombos estão cheios de ardor; não há parte sã na minha carne.

  8. 8

    Estou desfalecido e severamente esmagado; eu gemo por causa da angústia do meu coração.

  9. 9

    Senhor, todo o meu desejo está diante de ti; o meu gemido não está oculto de ti.

  10. 10

    Meu coração palpita, a minha força me falta; quanto à luz dos meus olhos, ela também me deixou.

  11. 11

    Meus amados e meus amigos se mantêm afastados da minha praga; meus parentes ficam de longe.

  12. 12

    Também os que buscam a minha vida armam laços; os que buscam o meu mal falam coisas maldosas, e planejam enganos o dia todo.

  13. 13

    Mas eu, como um surdo, não ouço; sou como um mudo que não abre a boca.

  14. 14

    Sim, sou como um homem que não ouve, em cuja boca não há repreensões.

  15. 15

    Pois em ti espero, SENHOR; tu responderás, Senhor meu Deus.

  16. 16

    Pois eu disse: “Não deixes que se alegrem à minha custa, nem se exaltem sobre mim quando o meu pé escorregar.”

  17. 17

    Pois estou prestes a cair; a minha dor está continuamente diante de mim.

  18. 18

    Pois declararei a minha iniquidade; eu me entristecerei por causa do meu pecado.

  19. 19

    Mas os meus inimigos são vigorosos e muitos; os que me odeiam sem motivo são numerosos.

  20. 20

    Os que pagam o bem com o mal também são meus adversários, porque eu sigo o que é bom.

  21. 21

    Não me desampares, SENHOR; meu Deus, não te afastes de mim.

  22. 22

    Apressa-te em me ajudar, Senhor, minha salvação.

Confissão em vez de autodefesa

A maioria dos lamentos alega inocência; este faz o contrário. Quem sofre liga a sua dor diretamente à culpa ('por causa do meu pecado', v.3) e, rodeado de gente que lhe distorce as palavras, escolhe o silêncio e a confissão aberta (v.18) em vez de retorquir.

Essa viragem faz do Salmo 38 um dos salmos penitenciais tradicionais e prepara a meditação do salmo seguinte sobre uma vida breve e frágil sob a mão correctora de Deus.

Camadas de contexto

Deixe fechadas por defeito e abra apenas quando quiser mais contexto.

Partilhe um pequeno excerto via:

/pt-PT/wpb/salmos/38/16-18

Ou use o Criador de link de passagem.

Continuar a ler em contexto