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Provérbios 1

O livro começa declarando seu próprio objetivo (vv. 1-7): para que servem esses ditados e a quem aproveitam, chegando ao lema de que o temor do SENHOR é o princípio do conhecimento. Em seguida, um pai passa a falar ao filho. Repare no choque de dois convites: bandidos atraem o filho para uma emboscada e um butim repartido (vv. 10-19), enquanto a Sabedoria clama em alta voz nas praças (vv. 20-33).

  1. 1

    Os provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel:

  2. 2

    para conhecer a sabedoria e a instrução; para discernir as palavras de entendimento;

  3. 3

    para receber instrução no agir com sabedoria, na justiça, no juízo e na equidade;

  4. 4

    para dar prudência aos simples, conhecimento e discrição ao jovem—

  5. 5

    para que o sábio ouça e cresça em aprendizado; para que o homem de entendimento alcance sábios conselhos;

  6. 6

    para entender provérbios e parábolas, as palavras e os enigmas dos sábios.

  7. 7

    O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.

  8. 8

    Meu filho, ouça a instrução do seu pai, e não abandone o ensino da sua mãe;

  9. 9

    pois serão como uma coroa de graça para a sua cabeça, e correntes ao redor do seu pescoço.

  10. 10

    Meu filho, se pecadores o tentarem, não consinta.

  11. 11

    Se eles disserem: “Venha conosco. Vamos ficar de emboscada para derramar sangue. Vamos espreitar secretamente o inocente sem motivo.

  12. 12

    Vamos engoli-los vivos como o Seol, e inteiros, como aqueles que descem à cova.

  13. 13

    Acharemos toda sorte de bens preciosos. Encheremos as nossas casas de despojos.

  14. 14

    Lance a sua sorte entre nós. Teremos todos uma só bolsa”—

  15. 15

    meu filho, não ande pelo caminho com eles. Afaste o seu pé do caminho deles,

  16. 16

    pois os seus pés correm para o mal. Eles se apressam para derramar sangue.

  17. 17

    Pois debalde se estende a rede à vista de qualquer ave;

  18. 18

    mas estes armam emboscadas contra o seu próprio sangue. Eles espreitam secretamente as suas próprias vidas.

  19. 19

    Assim são os caminhos de todo aquele que é ganancioso. A ganância tira a vida dos seus donos.

  20. 20

    A sabedoria clama em voz alta nas ruas. Ela levanta a sua voz nas praças públicas.

  21. 21

    Ela clama nas esquinas movimentadas. À entrada das portas da cidade, ela profere as suas palavras:

  22. 22

    “Até quando, vocês simples, amarão a simplicidade? Até quando os zombadores terão prazer na zombaria, e os tolos odiarão o conhecimento?

  23. 23

    Voltem-se para a minha repreensão. Eis que derramarei o meu espírito sobre vocês. Farei com que conheçam as minhas palavras.

  24. 24

    Porque eu chamei, e vocês recusaram; estendi a minha mão, e ninguém prestou atenção;

  25. 25

    mas vocês ignoraram todo o meu conselho, e não quiseram a minha repreensão;

  26. 26

    eu também rirei do desastre de vocês. Zombarei quando a calamidade os alcançar,

  27. 27

    quando a calamidade os alcançar como uma tempestade, quando o desastre chegar como um redemoinho, quando a angústia e a dor vierem sobre vocês.

  28. 28

    Então eles clamarão a mim, mas eu não responderei. Eles me buscarão diligentemente, mas não me encontrarão,

  29. 29

    porque odiaram o conhecimento, e não escolheram o temor do SENHOR.

  30. 30

    Não quiseram o meu conselho. Desprezaram toda a minha repreensão.

  31. 31

    Portanto, comerão do fruto do seu próprio caminho, e se fartarão de seus próprios esquemas.

  32. 32

    Porque a rebeldia dos simples os matará. A falsa segurança dos tolos os destruirá.

  33. 33

    Mas quem me ouvir habitará em segurança, e estará tranquilo, sem temor do mal.”

Duas vozes na mesma rua

O capítulo coloca os assaltantes e a Sabedoria em paralelo proposital. Os ladrões prometem uma só bolsa para todos, mas a cilada que armam fecha-se sobre a própria vida deles (v. 18); a ganância, diz o texto, tira a vida de quem a possui.

O discurso final da Sabedoria incomoda: quem desprezou o seu clamor a buscará e não a encontrará. Não é vingança, e sim tempo: enquanto ela chama, a porta está aberta, e o leitor fica avisado antes que a calamidade venha como tempestade.

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