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Salmos 39
O poeta tenta amordaçar a si mesmo. Decidido a não pecar com a língua enquanto o ímpio observa, fecha a boca (v.1-2), mas o silêncio só atiça o fogo interior até estourar numa pergunta sobre como a vida é breve. A resposta é sombria: dias medidos em palmos, todo homem 'uma vaidade', a riqueza consumida como pano pela traça (v.11). Repare nas pausas Selá que emolduram essa dura aritmética da mortalidade.
- 1
Eu disse: “Vigiarei os meus caminhos, para não pecar com a minha língua. Guardarei a minha boca com um freio enquanto o ímpio estiver diante de mim.”
- 2
Fiquei mudo, em silêncio. Calei-me até mesmo sobre o que é bom. Mas a minha dor se agravou.
- 3
Meu coração ardia dentro de mim. Enquanto eu meditava, o fogo se acendeu. Então falei com a minha língua:
- 4
“SENHOR, mostra-me o meu fim, e qual é a medida dos meus dias. Faze-me saber quão frágil eu sou.
- 5
Eis que fizeste os meus dias da largura de palmos. O tempo da minha vida é como nada diante de ti. Certamente todo homem não passa de um sopro.” Selá.
- 6
“Certamente todo homem anda como uma sombra. Certamente em vão eles se agitam. Ele amontoa riquezas, e não sabe quem as recolherá.
- 7
Agora, Senhor, o que eu espero? A minha esperança está em ti.
- 8
Livra-me de todas as minhas transgressões. Não me faças o alvo da zombaria dos tolos.
- 9
Fiquei mudo. Não abri a minha boca, porque tu o fizeste.
- 10
Remove de mim o teu flagelo. Estou consumido pelo golpe da tua mão.
- 11
Quando repreendes e corriges o homem por causa da iniquidade, tu consomes a sua riqueza como a traça. Certamente todo homem não passa de um sopro.” Selá.
- 12
“Ouve a minha oração, SENHOR, e dá ouvidos ao meu clamor. Não fiques em silêncio diante das minhas lágrimas. Pois sou um estrangeiro contigo, um peregrino, como todos os meus antepassados foram.
- 13
Oh, poupa-me, para que eu recupere as forças, antes que eu me vá e não exista mais.”
Da língua contida à oração frágil
O que começa como silêncio disciplinado vira o oposto: depois que fala, ele não consegue parar de pedir que Deus lhe mostre o 'fim' e meça sua fragilidade. A contenção nunca foi paz; era pressão.
Ele se chama de 'estrangeiro' e 'peregrino' diante de Deus (v.12), como todos os seus pais, e pede apenas um pouco de alívio antes de partir. Depois da doença do Salmo 38, esta é a ideia maior por baixo: quanto vale medir qualquer vida humana?
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