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Salmos 59
Um clamor por resgate diante de homens que ficam à espreita, rondam a cidade à tarde e uivam como cães. Quem fala insiste que o ataque vem apesar de sua inocência: 'não por minha desobediência, nem por meu pecado'. Repare no pedido ousado do verso 11: não os mates, para que o povo não esqueça; antes espalha-os, para que a lição fique à vista. O salmo encerra trocando o uivo deles pelo próprio canto do salmista, de manhã.
- 1
Livra-me dos meus inimigos, meu Deus. Coloca-me no alto, longe daqueles que se levantam contra mim.
- 2
Livra-me dos que praticam a iniquidade. Salva-me dos homens sanguinários.
- 3
Pois, eis que eles ficam à espreita pela minha vida. Os poderosos se ajuntam contra mim, não por minha desobediência, nem por meu pecado, SENHOR.
- 4
Eu não fiz nada de errado, mas eles estão prontos para me atacar. Levanta-te, vê e ajuda-me!
- 5
Tu, SENHOR Deus dos Exércitos, o Deus de Israel, desperta para punir as nações. Não tenhas misericórdia dos traidores perversos. Selá.
- 6
Eles retornam à tarde, uivando como cães, e rondam pela cidade.
- 7
Eis que eles jorram palavras com a boca. Espadas estão em seus lábios, “Pois”, eles dizem, “quem nos ouve?”
- 8
Mas tu, SENHOR, ris deles. Tu zombas de todas as nações.
- 9
Ó minha Força, eu espero por ti, pois Deus é a minha alta torre.
- 10
Meu Deus irá adiante de mim com o seu amor leal. Deus me fará olhar para os meus inimigos em triunfo.
- 11
Não os mates, para que o meu povo não se esqueça. Espalha-os pelo teu poder, e derruba-os, Senhor nosso escudo.
- 12
Pelo pecado da sua boca, e pelas palavras dos seus lábios, que eles sejam apanhados em seu orgulho, pelas maldições e mentiras que proferem.
- 13
Consome-os na tua ira. Consome-os, e eles não existirão mais. Que eles saibam que Deus governa em Jacó, até os confins da terra. Selá.
- 14
À tarde, que eles retornem. Que uivem como um cão, e rondem pela cidade.
- 15
Eles vagarão de um lado para outro por comida, e passarão a noite toda se não ficarem satisfeitos.
- 16
Mas eu cantarei da tua força. Sim, eu cantarei em alta voz do teu amor leal pela manhã. Pois tu tens sido a minha alta torre, um refúgio no dia da minha angústia.
- 17
A ti, minha força, eu cantarei louvores. Pois Deus é a minha alta torre, o Deus da minha misericórdia.
Dois entardeceres, dois sons
A imagem do cão emoldura o poema: os inimigos 'retornam à tarde, uivando' (v.6), e o verso 14 repete quase igual, agora deixando-os a vagar atrás de comida, sem se fartar a noite toda. Contra esse rosnar noturno, o verso 16 põe outro som: cantar da força de Deus 'pela manhã', chamando-o de alta torre. O contraste entre uivo noturno e canto matinal carrega toda a virada do medo à confiança.
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