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Salmos 73
Asafe admite que quase escorregou: invejou os arrogantes que zombam de Deus e mesmo assim morrem sem angústia e com forças firmes (vv. 3-12). O salmo inteiro depende de uma mudança de perspectiva. Repare na virada do versículo 17, quando ele entra no santuário de Deus. Só ali enxerga o destino final dos ímpios e reconhece que sua amargura o tornara tolo, como um animal bruto.
- 1
Certamente Deus é bom para com Israel, para com os puros de coração.
- 2
Quanto a mim, porém, meus pés quase tropeçaram; meus passos quase escorregaram.
- 3
Pois eu tive inveja dos arrogantes, quando vi a prosperidade dos ímpios.
- 4
Pois não há sofrimento na morte deles, mas a sua força é firme.
- 5
Eles estão livres dos fardos dos homens; nem são afligidos como os outros homens.
- 6
Por isso, o orgulho é como um colar em seu pescoço; a violência os cobre como uma veste.
- 7
Seus olhos saltam de gordura; suas mentes ultrapassam os limites da presunção.
- 8
Eles zombam e falam com malícia; com arrogância, ameaçam opressão.
- 9
Eles puseram sua boca nos céus; a língua deles percorre a terra.
- 10
Por isso, o povo deles se volta para eles, e bebem águas em abundância.
- 11
Eles dizem: “Como Deus saberia? Há conhecimento no Altíssimo?”
- 12
Eis que estes são os ímpios; estando sempre tranquilos, eles aumentam suas riquezas.
- 13
Certamente foi em vão que purifiquei o meu coração, e lavei as minhas mãos na inocência.
- 14
Pois o dia todo tenho sido afligido, e castigado a cada manhã.
- 15
Se eu tivesse dito: “Falarei dessa maneira”, eis que eu teria traído a geração dos teus filhos.
- 16
Quando tentei entender isso, foi doloroso demais para mim —
- 17
até que entrei no santuário de Deus, e compreendi o destino final deles.
- 18
Certamente tu os colocas em lugares escorregadios; tu os lanças para a destruição.
- 19
Como são destruídos de repente! São totalmente varridos por terrores.
- 20
Como um sonho quando se acorda, assim, Senhor, quando despertares, desprezarás as fantasias deles.
- 21
Pois a minha alma se entristeceu, e fiquei amargurado em meu coração.
- 22
Eu era tão insensato e ignorante; eu era como um animal irracional diante de ti.
- 23
Contudo, estou sempre contigo; tu seguras a minha mão direita.
- 24
Tu me guiarás com o teu conselho, e depois me receberás na glória.
- 25
Quem mais tenho eu no céu? Não há ninguém na terra que eu deseje além de ti.
- 26
A minha carne e o meu coração desfalecem, mas Deus é a força do meu coração e a minha porção para sempre.
- 27
Pois, eis que os que se afastam de ti perecerão; tu destróis todos os que te são infiéis.
- 28
Mas, para mim, bom é me aproximar de Deus. Fiz do Senhor DEUS o meu refúgio, para que eu possa anunciar todas as tuas obras.
A virada no santuário
O poema se divide com clareza: dezesseis versículos de inveja e dúvida ruem assim que Asafe considera o fim dos perversos. A mesma imagem se inverte: são eles, não ele, que estão postos em lugares escorregadios.
O que lhe resta não é uma explicação, mas um vínculo: Deus o segura pela mão direita (v. 23) e se torna sua porção para sempre, resposta às riquezas que ele havia cobiçado.
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