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Apocalipse 18

O que o capítulo 17 anunciou, este executa como um funeral. Um anjo cuja glória ilumina a terra clama que Babilónia caiu; outra voz chama o povo de Deus a «sair dela» antes que cheguem as suas pragas. Depois vêm três vagas de lamento — de reis, de mercadores, de navegantes — cada qual a olhar o fumo de longe. A longa lista de cargas dos versículos 12-13 vale a pena ler devagar: ouro, seda, especiarias, gado, e no fim, de propósito, «corpos e almas de pessoas». O canto fúnebre não chora a crueldade de Babilónia, mas o comércio perdido, e denuncia o que os pranteadores de facto valorizavam.

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Apocalipse 18 (WPB)
  1. 1

    Depois destas coisas, vi outro anjo descendo do céu, o qual tinha grande autoridade. A terra foi iluminada com a sua glória.

  2. 2

    Ele clamou com voz forte, dizendo: “Caiu, caiu a grande Babilônia, e tornou-se habitação de demônios, prisão de todo espírito imundo e esconderijo de toda ave imunda e detestável!

  3. 3

    Pois todas as nações beberam do vinho da ira da sua imoralidade sexual, os reis da terra cometeram imoralidade sexual com ela, e os mercadores da terra enriqueceram à custa da sua excessiva luxúria.”

  4. 4

    Ouvi outra voz do céu, dizendo: “Saiam dela, povo meu, para que não sejam cúmplices dos seus pecados, e para que não recebam das suas pragas,

  5. 5

    pois os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.

  6. 6

    Retribuam a ela assim como ela retribuiu, e paguem-lhe em dobro segundo as suas obras. No cálice em que ela misturou bebidas, misturem o dobro para ela.

  7. 7

    Na mesma medida em que ela se glorificou e viveu em luxúria, deem-lhe tormento e pranto. Pois ela diz em seu coração: 'Estou sentada como rainha, não sou viúva e de modo algum verei o pranto.'

  8. 8

    Portanto, em um único dia as suas pragas virão: morte, pranto e fome; e ela será completamente queimada no fogo, pois poderoso é o Senhor Deus que a julga.

  9. 9

    Os reis da terra, que cometeram imoralidade sexual e viveram luxuriosamente com ela, chorarão e se lamentarão por ela, quando virem a fumaça do seu incêndio.

  10. 10

    Ficarão de longe, com medo do seu tormento, dizendo: 'Ai, ai da grande cidade, Babilônia, a cidade forte! Pois em uma só hora chegou o seu julgamento.'

  11. 11

    Os mercadores da terra choram e se lamentam por ela, porque ninguém mais compra as suas mercadorias:

  12. 12

    artigos de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda, de escarlate, toda espécie de madeira aromática, todo tipo de objeto de marfim, todo tipo de objeto feito de madeira preciosíssima, e de bronze, e de ferro, e de mármore;

  13. 13

    e canela, especiarias, incenso, perfume, olíbano, vinho, azeite de oliva, flor de farinha, trigo, gado, ovelhas, cavalos, carruagens, e corpos e almas de pessoas.

  14. 14

    Os frutos que a sua alma tanto cobiçava se foram. Todas as coisas finas e suntuosas pereceram para você, e você jamais as encontrará de novo.

  15. 15

    Os mercadores destas coisas, que enriqueceram à custa dela, ficarão de longe, com medo do seu tormento, chorando e se lamentando,

  16. 16

    dizendo: 'Ai, ai da grande cidade, que estava vestida de linho fino, púrpura e escarlate, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas!

  17. 17

    Pois em uma só hora riquezas tão grandes foram devastadas.' Todos os capitães de navios, todos os passageiros, os marinheiros e todos os que ganham a vida no mar, ficaram de longe,

  18. 18

    e clamaram ao verem a fumaça do seu incêndio, dizendo: 'Que cidade é semelhante à grande cidade?'

  19. 19

    Lançaram pó sobre as suas cabeças e clamaram, chorando e se lamentando, dizendo: 'Ai, ai da grande cidade, na qual todos os que tinham navios no mar enriqueceram por causa da sua grande riqueza! Pois em uma só hora ela foi devastada.'

  20. 20

    “Alegre-se sobre ela, ó céu! Alegrem-se, santos, apóstolos e profetas! Pois Deus julgou a causa de vocês contra ela.”

  21. 21

    Um anjo forte levantou uma pedra como uma grande pedra de moinho e a lançou no mar, dizendo: “Com igual violência a grande cidade de Babilônia será derrubada, e jamais será encontrada.

  22. 22

    A voz dos harpistas, dos músicos, dos flautistas e dos que tocam trombeta jamais será ouvida em você. Nenhum artífice de qualquer ofício jamais será encontrado em você. O som do moinho jamais será ouvido em você.

  23. 23

    A luz da candeia jamais brilhará em você. A voz do noivo e da noiva jamais será ouvida em você, pois os seus mercadores eram os príncipes da terra; porque por meio de sua feitiçaria todas as nações foram enganadas.

  24. 24

    E nela foi encontrado o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.”

Uma economia que desaba numa só hora

Por três vezes os lamentos insistem que a ruína veio «numa hora» — uma fortuna erguida ao longo de séculos, desfeita num instante. Cada grupo de pranteadores fica «ao longe», a chorar as próprias perdas mais do que a cidade em si, o que afia a ironia do luto.

O capítulo fecha com um anjo forte a lançar uma pedra de moinho ao mar: com igual violência é derrubada Babilónia, e os sons do dia a dia — harpistas, moinhos, lâmpadas, as vozes do noivo e da noiva — calam-se para sempre. Esse catálogo do fim da vida comum é o que dá peso ao juízo.

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