WPB

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Irrompe uma voz nova. Calados os três amigos porque Jó era "justo aos seus próprios olhos", Eliú, o buzita — mais novo do que todos —, já não se contém. A sua ira arde contra Jó por se justificar a si mesmo em vez de Deus, e contra os amigos por condenarem Jó sem terem resposta. Quase todo o capítulo é Eliú a pigarrear: porque é que um jovem ousa falar e porque é que a idade, só por si, não garante sabedoria.

  1. 1

    Então estes três homens pararam de responder a Jó, porque ele era justo aos seus próprios olhos.

  2. 2

    Então acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão, contra Jó. Sua ira se acendeu porque ele justificava a si mesmo em vez de a Deus.

  3. 3

    Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos, porque não tinham encontrado resposta, e mesmo assim haviam condenado Jó.

  4. 4

    Ora, Eliú tinha esperado para falar a Jó, porque eles eram mais velhos do que ele.

  5. 5

    Quando Eliú viu que não havia resposta na boca destes três homens, a sua ira se acendeu.

  6. 6

    Eliú, filho de Baraquel, o buzita, respondeu: “Eu sou jovem, e vocês são muito velhos. Por isso me contive, e não ousei mostrar a vocês a minha opinião.

  7. 7

    Eu disse: ‘Os dias devem falar, e a multidão dos anos deve ensinar a sabedoria.’

  8. 8

    Mas há um espírito no homem, e o Espírito do Todo-Poderoso lhes dá entendimento.

  9. 9

    Não são os grandes que são sábios, nem os idosos que entendem a justiça.

  10. 10

    Portanto eu disse: ‘Escutem-me; eu também mostrarei a minha opinião.’

  11. 11

    “Eis que esperei pelas palavras de vocês, e ouvi os seus raciocínios, enquanto vocês buscavam o que dizer.

  12. 12

    Sim, dei a vocês a minha total atenção, mas não houve quem convencesse a Jó, ou quem respondesse às suas palavras, entre vocês.

  13. 13

    Cuidado para que não digam: ‘Encontramos a sabedoria. Deus pode refutá-lo, não o homem;’

  14. 14

    pois ele não dirigiu as suas palavras contra mim; tampouco eu lhe responderei com os discursos de vocês.

  15. 15

    “Eles estão pasmos. Não respondem mais. Não têm mais uma palavra a dizer.

  16. 16

    Devo eu esperar, porque eles não falam, porque ficam parados, e não respondem mais?

  17. 17

    Eu também responderei a minha parte, e eu também mostrarei a minha opinião.

  18. 18

    Pois estou cheio de palavras. O espírito dentro de mim me constrange.

  19. 19

    Eis que o meu peito é como o vinho que não tem respiradouro; como odres novos, está prestes a rebentar.

  20. 20

    Falarei, para que eu encontre alívio. Abrirei os meus lábios e responderei.

  21. 21

    Que eu não faça acepção de pessoas, nem darei títulos lisonjeiros a homem algum.

  22. 22

    Pois eu não sei dar títulos lisonjeiros, do contrário, o meu Criador em breve me levaria.

Porque fala enfim o mais novo

O seu argumento quebra o protocolo: há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso dá-lhe entendimento (v.8). A sabedoria não é posse das cãs; é inspirada.

Compara-se a odres novos prestes a rebentar (v.19), incapaz de conter as palavras. O longo preâmbulo eleva o que está em jogo nos discursos dos capítulos 33-37, que abrem um ângulo a que os três amigos nunca chegaram.

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